Endometriose

CONSIDERAÇÕES GERAIS

A ENDOMETRIOSE TEM CURA?

A Endometriose pode ser caracterizada como a presença de tecido endométrio, parte que reveste o útero, fora da cavidade uterina. (trompas, ovários, intestino e bexiga.)

É uma das patologias (doença) ginecológicas benignas mais comuns, atingindo uma em cada dez mulheres em idade fértil. Apesar dos inúmeros trabalhos de pesquisa ao longo dos anos, a endometriose continua a ser uma doença enigmática quanto à sua iniciação, persistência e progressão.

Na medicina devemos sempre ter uma visão otimista que favoreça a abordagem de pacientes com doenças crônicas e evolutivas com altas taxas de recorrência/recidiva.

A endometrioses deve ser encarada com esta visão otimista apesar de não ser o que vemos e ouvimos constantemente.

Como em outras patologias, a cura vem de uma abordagem continua feita pelo medico e acatada pela paciente considerando que  a endometrioses por ser uma doença hormônio dependente tem prazo final para controle , que seria a menopausa ou Terapia de reposição com medicação adequada.

 

CAUSAS

Fatores determinantes:

GENÉTICOS

Uma tendência familial para a endometriose foi primeiramente sugerida em 1957, por relatos de cinco casos de irmãs com a doença.

O primeiro estudo formal para a análise genética da endometriose revelou um risco de 6,9 vezes de parentes de primeiro grau (mãe, irmã e filha) de mulheres com endometriose a virem apresentar a doença que é geralmente mais grave, bilateral e de surgimento mais precoce.

HORMONAIS

Os hormônios esteroides exercem um papel significativo na patogêneses da endometriose. A endometriose não ocorre antes da menarca, é rara em mulheres com ciclos anovulatórios e a menopausa assim como a utilização de análogos de GnRH provocam uma diminuição da endometriose.

AMBIENTAIS

Fatores ambientais parecem exercer uma influência em todas as doenças, principalmente na endometriose. Ao longo deste século, verificou-se um grande desenvolvimento da indústria química, nomeadamente na produção industrial de compostos de síntese.

As dioxinas emitidas a partir dos processos de combustão são transportadas através da atmosfera, depositando-se nos oceanos, lagos e no próprio solo. Devido à sua baixa solubilidade em água, elas são acumuladas em sedimentos e até mesmo na gordura de peixes. A contaminação humana é feita através da cadeia alimentar, principalmente via indireta. Uma vez o contaminante presente no corpo humano, ele acumula-se em diversas zonas com elevado teor em gordura como tecido adiposo e leite materno. Estes componentes possuem uma meia vida no organismo de sete anos. Rier mostrou uma alta taxa de endometriose induzida por diferentes doses de dioxina determinando uma relação direta entre a dioxina e a endometriose.

IMUNOLÓGICOS

Foi nos anos 80 que vários trabalhos foram publicados mostrando que o sistema imune pode ter papel importante nas patogêneses da doença.

Muitas mudanças imunológicas foram observadas e demonstradas localmente na cavidade peritoneal e sistemicamente na circulação.

Todas estas alterações mostram que a endometriose é uma doença sistêmica, embora não seja ainda claro se são causa ou consequência.

LOCAIS

Algumas malformações vulvo-vaginais e cervicais (atresia cervical, útero didelphus, hemi-utero borgne…) favorecem o desenvolvimento de implantes de endometriose ao intensificar o refluxo tubário e sobrecarregar as defesas imunológicas.

Uma estenose cervical iatrogênica por eletrocoagulação endocervical ou mesmo decorrente de antecedente de conização uterina podem provocar um refluxo menstrual mais importante.

CONCLUSÃO – Origem Endometriose

O fenômeno quase universal da menstruação retrógrada e a capacidade inerente aos tecidos pélvicos em manter um transplante virtual, permitem que, praticamente todas as mulheres tenham uma oportunidade de desenvolver a endometriose.

Os fatores que determinam o gráu de menstruação retrógrada ainda precisam ser elucidados. Ainda não foi elucidado se as alterações imunológicas antecedem a doença, são coincidentes com ela ou resultam dela.

A interpretação de todos esses achados nos leva a concluir que a endometriose é uma doença sistêmica com uma patogênese imunológica, provavelmente decorrente de alterações genéticas e/ou ambientais.

MECANISMO

Durante a menstruação, o endométrio viável cai dentro da cavidade peritoneal, que é uma cavidade virtual, principalmente no período menstrual que apresenta os valores mais baixos de líquido peritoneal. Um contato próximo entre o endométrio regurgitado, o mesotélio e determinados fatores locais provocam um dano no mesotélio (que funciona como teflon), expondo a matrix extracelular (que funciona como velcro) às moléculas de adesão celular existentes no endométrio regurgitado.