Dor pélvica crônica

Considerações gerais:

A dor pélvica é um dos maiores desafios da clínica ginecológica.

Esta abordagem é complexa e necessita que alguns passos sejam seguidos para se obter o sucesso desejado! A complexidade anatômica da região pélvica com vários aparelhos (gênito-urinário, músculo esquelético, intestinal, vascular, nervosa) interrelacionados e capazes de provocar dor pélvica determinam o maior desafio.

A prevalência da DPC é muito maior do que se imagina e se divulga!

Estima-se que ela possa acometer até 1 em cada 6 mulheres na população geral adulta com incidência média geral de 12%.

Dados mostram que a incidência pode ser igual ou maior que a de asma e dor nas costas como mostram os dados a seguir:

38/1000  DPC

37/1000 ASMA

41/1000 DOR COSTAS

Além disto, altera a qualidade de vida das pacientes influenciando em atividade doméstica, atividade sexual, com perda de dias de trabalho e gastos com uso de medicamentos, consultas e internações.

40% de todas as laparoscopias são realizadas por DPC na esperança da resolução da mesma, mas infelizmente o sucesso nem sempre e alcançado.

ABORDAGEM IDEAL DOR PÉLVICA CRÔNICA

Estas mulheres buscam assistência médica para obterem explicações para as sua dores.

Para isto a primeira consulta deve ter o tempo suficiente para que a paciente possa contar sua história.

As pacientes precisam saber que serão ouvidas e que o médico acredita nelas.

O primeiro passo da abordagem e determinar se a paciente possui DPC ou Síndrome da DPC.

O conceito de DPC é o seguinte:

Toda dor pélvica superior a seis meses de duração:

Esta dor esta associada a um conjunto de respostas, reflexas autonômicas com sinais de  inflamação/infecção:

Podendo acrescentar dores cíclicas e ou não cíclicas (dismenorreias, dispareunia profunda, dor intermenstrual)

Localização consistente

Sem melhora com analgésicos não narcóticos

Na síndrome da DPC, não existe melhora destes sintomas e os danos físicos são geralmente menores que os sintomas apresentados em uma paciente já emocionalmente abalada e com falha em tratamentos anteriores.

PASSO A PASSO ABORDAGEM DPC

O sucesso da abordagem depende inicialmente desta separação, principalmente antes de idealizar uma cirurgia. A indicação cirúrgica segue normas:

1- Anamnese

– A natureza multifatorial da DPC, deverá ser abordada e explicada desde o início.

-Problemas psicológicos e sociais acontecem concomitantemente com DPC, sendo a sua resolução importante para o sucesso do tratamento.

-PERSONALIDADE

-DEPRESSÃO

-ABUSO SEXUAL

-DISFUNÇÃO SEXUAL

2- Exame Físico

Durante exame físico da paciente, seguir uma dinâmica para que nada passe desapercebido.

3- Análise Topográfica:

ANALISE TOPOGRAFICA dpc

4- Individualização de cada sintoma:

– DISPAREUNIA

– DISMENORREIA

– DOR LOMBAR

– DOR ABDOMINAL

– DOR INTESTINAL

– DOR URINÁRIA

– DOR MÚSCULOESQUELÉTICO

5- Utilização instrumentos psicométricos:

– Questionários qualidade de vida SF36 para ajudar no manejo e melhor avaliar a resposta ao tratamento e o que utilizamos quando necessário

– Diário de dor quando indicado

6- Exames complementares:

– Laboratório

– Imagem (US, RNM, outros)

7- Equipe multidisciplinar, fundamental para sucesso!

– ANESTESISTA

– CLÍNICO

– UROLOGISTA

– GASTROENTEROLOGISTA

– CIRURGIÃO DIGESTIVO

– PSICÓLOGO

– PSIQUIATRA

– FISIOTERAPEUTA

– REUMATOLOGISTA

– ORTOPEDISTA

– NEUROCIRURGIÃO

– ENFERMAGEM

8- Trabalhar neuroplasticidade cerebral :

O cérebro é uma máquina que adora rotinas, ritmos e padrões.

A melhor forma de fazer isto é quebrar a rotina!

Uma destas maneiras é estimular atividade física, yoga, meditação, fisioterapia,….

9- Tratamento medicamentoso:

– As diretrizes (ESHRE) recomendam os seguintes tratamentos hormonais para o alívio da dor:

>> Os agonistas do GnRH, Danazol, Contraceptivos orais combinados e PROGESTINAS

>> A eficácia possui classificação semelhante, mas os efeitos adversos diferem

10- Tratamento endoscópico:

– Cistoscopia

– Colonoscopia

– Histeroscopia

– Laparoscopia